Lombalgia é problema frequente nos consultórios médicos

Você sabia que a má postura, o sedentarismo e estresse são as principais causas da lombalgia? Segundo o médico ortopedista Vitor Mendes (CRM/SP 146462), especialista em Cirurgia do Quadril, este problema é responsável pela maioria dos atendimentos ortopédicos nos prontos socorros e consultórios médicos. “Alguns dados mostram ainda que entre 80 e 90% da população adulta sofrerá pelo menos um episódio de dor lombar ao longo da vida”, afirma.

A má postura pode estar relacionada a atividades do dia a dia, como ficar muitas horas em uma mesma posição, carregar peso, realizar movimentos de agachamento e levantamento de cargas, entre outras. A prática de exercícios físicos de maneira incorreta também pode sobrecarregar as estruturas lombares, desencadeando quadros de dor.

Lombar x sobrecarga

O médico explica que a lombar é formada pelos ossos e ligamentos da coluna e do sacro, além de camadas musculares e membranas que revestem os músculos. Juntamente com a musculatura abdominal e da cintura pélvica, é responsável pela manutenção postural do corpo humano.

Por isso, a má postura pode levar à sobrecarga dessas estruturas, desencadeando quadros de dor com intensidade variável. “Os pacientes que procuram atendimento de urgência costumam relatar desde um leve desconforto no fim do dia a quadros de dor intensa e sensação de ‘travamento’ da coluna e região lombar”, conta Vitor Mendes.

Apesar da dor ser, na maioria das vezes, um problema muscular, outros sintomas podem aparecer com a lombalgia, como febre, dormência ou paralisia e propagação do desconforto para as pernas. Nesses casos, a busca por atendimento imediato deve ser considerada.

Diagnóstico da lombalgia: exames e histórico do paciente

O diagnóstico da lombalgia dependerá do histórico do paciente, da avaliação física e presencial do médico ortopedista, além de exames de imagem, como tomografias, radiografias e ressonância magnética. Exames de sangue também são procedimentos comuns nos atendimentos em consultórios para descartar processos inflamatórios ou reumáticos do diagnóstico.

Dicas de correção postural para o dia a dia

No dia a dia, o cuidado com a postura corporal ajuda a evitar ou controlar as crises de lombalgia. Confira algumas dicas do Dr. Vitor Mendes!

  • Evite sentar-se com o tronco torto: se você trabalha sentado o dia todo em frente ao computador, pode estar habituado a permanecer com as costas inclinadas. Esta posição está incorreta e pode prejudicar sua lombar. É recomendável acomodar totalmente as costas, principalmente a região lombar (mais baixa) no encosto cadeira. Os pés também devem estar apoiados totalmente sobre o chão com os joelhos em aproximadamente dobrados em 90 graus. Já os braços devem ficar em cima da mesa com os cotovelos apoiados;
  • Evite levantar peso sem dobrar os joelhos: para pessoas que costumam levantar peso em casa e no trabalho, é comum observar o movimento de inclinação das costas, sem o auxílio dos joelhos e pernas. No caso deste tipo de movimento, o correto é fazer um agachamento, dobrando os joelhos para não sobrecarregar a lombar;

  •  Levante-se com frequência: sempre que possível, tente se levantar e movimentar-se um pouco. Busque um café, um copo d’água ou mesmo só estique o corpo. A mudança de posição ajuda o corpo a relaxar a musculatura e faz com que ele saia da zona de inércia que pode gerar o desconforto. Desse modo, evitamos manter a mesma posição por tempo prolongado, diminuindo a fadiga muscular.

Todo cuidado é pouco para prevenir a nossa saúde. Qualquer sinal de desconforto deve ser motivo para procurar um médico ortopedista.

Displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) pode ser detectada no nascimento

Displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ), também chamada de luxação congênita do quadril, pode ser detectada logo após o nascimento, com exames clínicos e de imagem

Já nas primeiras horas de vida, passamos por uma série de exames para saber como está nossa saúde. O popular teste do pezinho é um deles, mas outros dois também são feitos logo após o nascimento e poucos conhecem. Os testes clínicos de Ortolani e Barlow ajudam a detectar a displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ), uma alteração na formação no quadril dos bebês.

Segundo o médico ortopedista Vitor Mendes (CRM/SP 146462), especialista em Cirurgia do Quadril, a suspeita clínica da presença da displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) já ocorre nesta fase de exames logo após o nascimento, porém, os sintomas da luxação podem ser notados com o avanço da idade, em crianças, adolescentes e até mesmo adultos.

“Mesmo após a triagem de testes no nascimento, é importante ficar sempre atento aos movimentos do corpo, se há sinais de desconforto no quadril ou mobilidade reduzida. O comprimento diferente das pernas e mancar ao caminhar são alguns dos principais sintomas”, alerta o médico.

Sintomas da displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ)

  • Comprimentos diferentes das pernas
  • Dobras desiguais nas coxas
  • Mobilidade reduzida
  • Dificuldade de flexibilidade de um lado do corpo
  • Mancar ao caminhar 

Fatores de risco e diagnóstico da DDQ

Os testes de Ortolani e Barlow são dois procedimentos realizados logo após o nascimento para o diagnóstico da displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ). Essas manobras clínicas testam a estabilidade da articulação, e devem ser realizadas rotineiramente em todos os recém nascidos, com especial atenção àqueles que apresentam fatores de risco para a DDQ, como:

  • Primeiro filho
  • Sexo feminino
  • Posição fetal pélvica (“sentado”)
  • Pouco líquido amniótico (oligodramnio)
  • Fetos grandes
  • Gemelares 

Mesmo após a triagem neonatal, é recomendada a realização de exames periodicamente nos primeiros anos de vida, como ultrassonografia e radiografia, para verificar a limitação de extensão do quadril da criança. 

O tratamento da displasia do quadril (DDQ)

Se a displasia do quadril for diagnosticada precocemente e o tratamento iniciado com rapidez, é possível desenvolver uma articulação do quadril normal por meio de tratamentos que dependem da idade da criança. 

  • Recém-nascidos: o bebê é colocado no chamado suspensório de Pavlik, por um a dois meses. A cinta mantém o quadril na posição adequada, permitindo o livre movimento das pernas, e ajuda a apertar os ligamentos em torno da articulação do quadril;
  • Seis meses a dois anos: nesta fase, o tratamento mais comum é realizado com redução fechada e gesso. Na maioria dos casos, a tração é usada por algumas semanas antes de reposicionar o fêmur para o relaxamento da musculatura ao redor do quadril;
  • Mais de dois anos: a distensão do quadril pode piorar com o crescimento e aumento no ritmo de movimento das crianças. A cirurgia aberta, então, é normalmente necessária para realinhar o quadril. 

Sem o correto acompanhamento, a DDQ pode se tornar osteoartrite no início da idade adulta, piorando a qualidade de vida do paciente. “Nestes casos, dependendo do grau de acometimento, é indicada a artroplastia do quadril, cirurgia que pode melhorar a mobilidade e reduzir o desgaste da articulação”, diz Vitor Mendes. 

Principais causas da displasia do desenvolvimento do quadril

A origem da displasia do desenvolvimento do quadril ainda é desconhecida, mas alguns estudos indicam que as principais causas podem estar relacionadas com a posição e o espaço do bebê no útero:

  • Na barriga da mãe de primeira viagem, o útero ainda é mais “apertado”, o que impossibilita a movimentação do bebê e favorece o aparecimento da luxação;
  • Ao nascer, é perigoso se o bebê estiver na posição de nádegas, especialmente com os pés para cima dos ombros. A Academia Americana de Pediatria recomenda que nascimentos nestas condições sejam obrigatoriamente acompanhados de exames de ultrassonografia.

Todo cuidado é pouco para prevenir a nossa saúde. Qualquer sinal de desconforto no quadril deve ser motivo para procurar um médico ortopedista.