5 lesões no quadril mais comuns em atletas

Lesões no quadril são comuns em atletas. Saiba o porquê.

A articulação do quadril liga o membro inferior ao tronco, nos permitindo movimentar as pernas, como ao caminhar, correr, pular etc. É uma região resistente do nosso corpo, mas nos casos de movimentos excessivos ou traumáticos, pode sofrer danos. Por isso, lesões no quadril podem ocorrer em praticantes de esportes.

Segundo o Dr. Vitor Mendes (CRM/SP 146462), médico especialista em Ortopedia, Traumatologia e Cirurgia de Quadril, as dores causadas por lesões no quadril podem se manifestar na região da virilha, passando pela coxa até o joelho. Em atletas, o desgaste nesta região pode ser ainda maior por vários motivos. 

“Durante a prática esportiva, todas as articulações dos membros inferiores são submetidas a cargas maiores do que nas atividades corriqueiras. Com isso, pode-se ultrapassar o limite de resistência das estruturas que compõem a articulação, bem como da musculatura ao redor dessas articulações. O quadril sustenta grande parte dessa sobrecarga, estando sujeito a lesões”, explica. 

O médico lista as 5 lesões no quadril comuns em atletas – amadores e profissionais:

1.    Impacto Femoroacetabular (IFA)

2.    Bursite de quadril (bursite trocantérica)

3.    Tendinite e lesão glútea

4.    Pubalgia

5.   Lesão muscular dos adutores

Lesões no quadril: Impacto Femoroacetabular (IFA)

O IFA está relacionado à colisão entre a região do colo do fêmur e a borda do acetábulo (região da bacia onde ocorre o encaixe da articulação do quadril no tronco). Essa situação pode causar a compressão do lábio acetabular entre os ossos e gerar lesões irreversíveis na cartilagem articular, que podem progredir para uma artrose grave do quadril.

O IFA acontece principalmente em pessoas que praticam esportes com exigência de flexão acentuada do quadril, associada com rotações do membro inferior ou do tronco, durante a execução dos movimentos, como nos jogos de futebol e partidas de tênis.

Lesões no quadril: Bursite de quadril (bursite trocantérica)

A bursite de quadril, ou bursite trocantérica, é uma lesão frequente em corredores, sendo causada por atrito repetitivo. É caracterizada pela inflamação da bursa, que serve justamente para diminuir o atrito entre a estrutura óssea (o trocânter femoral) e uma membranosa que existe na lateral da coxa (o trato ilio-tibial).

Os sintomas mais comuns da bursite de quadril são dores na região lateral do quadril, que podem piorar depois de longos períodos em pé, caminhando ou subindo e descendo escadas. 

Lesões no quadril: Tendinite e lesão glútea

Dentre todos os músculos que agem em torno do quadril, sem dúvida alguma, os glúteos médio e mínimo são os que têm função primordial para o bom funcionamento da articulação. Eles são os responsáveis pelo equilíbrio da pelve quando retiramos um dos membros inferiores do chão, enquanto caminhamos e corremos.

Corredores de longa distância, ou até mesmo aqueles que cumprem menores quilometragens em treinos e provas, podem gerar sobrecarga nesses músculos caso não tenham um preparo e fortalecimento adequado. Em casos extremos, pode ocorrer até a ruptura de algumas fibras musculares. Algumas vezes, também pode vir acompanhada da bursite trocantérica.

Esta lesão é caracterizada por dor na região posterior e lateral do quadril, junto da região glútea, que piora durante a atividade física. Quando intensa, pode ocorrer ao se levantar ou ao caminhar. 

O médico ortopedista alerta: “Ao menor sintoma, procure a ajuda de um profissional, que pode evitar a progressão do quadro, levando a um menor tempo de recuperação e retorno às atividades.”

Lesões no quadril: Pubalgia

A pubalgia não é propriamente uma lesão no quadril, mas sim na região do púbis, que se manifesta principalmente por dor na virilha, que irradia pela face interna da coxa – sintoma muito semelhante ao gerado pelas doenças do quadril. 

Causada pelo desequilíbrio muscular entre a musculatura adutora e abdominal, acomete principalmente atletas que praticam esportes com chutes ou mudanças abruptas de direção, como nos casos dos tenistas.

A lesão pode ser do tipo aguda ou crônica, dependendo do tempo transcorrido entre o início dos sintomas, o diagnóstico e tratamento. Mais uma vez, o Dr. Vitor Mendes ressalta a importância de procurar atendimento especializado logo que os sinais desta lesão aparecerem. 

Lesão muscular dos adutores 

A musculatura adutora é aquela situada na face interna da coxa. Como toda lesão muscular, pode se manifestar pela famosa “fisgada”.  Segundo o Dr. Vitor, a lesão pode ocorrer nos casos de contração muscular, como quando chutamos e corremos. “Vários músculos do quadril são atingidos, mas os mais comuns são o adutor longo, curto, magno e o grácil”, explica.

As dores causadas por esta lesão, muitas vezes, são acompanhadas pela sensação de estalos na parte interna da coxa, sensibilidade ao toque, hematomas, inchaço e calor na região lesionada.

Síndrome de Impacto Femoroacetabular: dores no quadril podem indicar a doença

Tem dores no quadril? Pode ser a doença conhecida como Síndrome de Impacto Femoroacetabular 

A Síndrome de Impacto Femoroacetabular (ou IFA – Impacto Femoroacetabular) pode causar fortes dores no quadril, limitando a mobilidade do corpo e a qualidade de vida. Pessoas nesta condição devem procurar ajuda e tratamento adequado com um médico ortopedista especialista em quadril.

O IFA está relacionado à colisão entre a região do colo do fêmur e a borda do encaixe da articulação do quadril (o acetábulo). Geralmente ocorre nos movimentos exagerados como na prática de exercícios físicos ou em situações de flexão excessiva nesta região do corpo. A doença pode provocar o desgaste da cartilagem do quadril, originando a artrose de quadril em jovens e adultos.

O que é a Síndrome de Impacto Femoroacetabular 

O Dr. Vitor Mendes (CRM/SP 146462), médico especialista em Ortopedia, Traumatologia e Cirurgia de Quadril, explica como a Síndrome de Impacto Femoroacetabular se manifesta no corpo:

“A borda do osso da bacia – acetábulo – e a transição da cabeça com o colo do fêmur se chocam durante o movimento desta região do corpo, principalmente, nas pessoas que apresentam alterações anatômicas desta articulação. Essa colisão causa a compressão do lábio acetabular entre os ossos e gera lesões irreversíveis na cartilagem articular, que podem progredir para uma artrose grave do quadril”, alerta. 

Diagnóstico: procure um médico ortopedista especialista em quadril

O diagnóstico da Síndrome de Impacto Femoroacetabular é feito por exames clínicos e de imagem, como Radiografia e Tomografia, que servem para avaliar a forma alterada do quadril. A Ressonância Magnética também é recomendada para analisar possíveis lesões na cartilagem e no labrum acetabular. 

O médico ortopedista, e que seja especialista em quadril, é o profissional adequado para descobrir a existência da doença. Os exames recomendados por ele ajudarão a diagnosticar qual o tipo da Síndrome de Impacto Femoroacetabular. O diagnóstico ajudará na avaliação de quais procedimentos serão necessários para amenizar as dores no quadril.

Tipos de IFA – Impacto Femoroacetabular

  • CAM ou CAME

Causado por alterações no formato entre o colo e cabeça do fêmur, provocando a perda da esfericidade da cabeça em relação ao acetábulo. Nos movimentos de flexão e rotações do quadril, ocorre um impacto da deformidade da cabeça com a superfície acetabular, causando dor e lesão no labrum acetabular, e desencadeando uma artrose precoce da articulação do quadril.

  • PINCER

Causado pelo contato da cabeça do fêmur normal com um acetábulo anormal, profundo ou retrovertido. O labrum acetabular pode ficar aprisionado e achatado, sofrendo escoriações que aos poucos degeneram sua estrutura e formam cistos (lesões degenerativas) e ossificações. Também está relacionado ao surgimento de artrose.

  • MISTO

É o impacto que tem ambos os tipos: CAM e PINCER. 

Dores no quadril: tratamento do IFA muda o estilo de vida

De acordo com o Dr. Vitor Mendes (CRM/SP 146462), médico especialista em Ortopedia, Traumatologia e Cirurgia de Quadril, o tratamento inicial do IFA envolve mudanças no estilo de vida, como adaptações das atividades físicas, do cotidiano e trabalho do paciente. Para tratar dores no quadril mais intensas, exercícios fisioterapêuticos ou cirurgia são indicados.

“Sessões de fisioterapia podem ajudar no controle da dor, do processo inflamatório e reequilíbrio da musculatura que age em torno do quadril. Também há a indicação de medicações analgésicas. Nos casos refratários ao tratamento conservador, o procedimento cirúrgico pode ser indicado, sendo realizado por uma cirurgia artroscópica, considerada pouco invasiva, e portanto, menos dolorosa”, conta o médico.