Displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) pode ser detectada no nascimento

Displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ), também chamada de luxação congênita do quadril, pode ser detectada logo após o nascimento, com exames clínicos e de imagem

Já nas primeiras horas de vida, passamos por uma série de exames para saber como está nossa saúde. O popular teste do pezinho é um deles, mas outros dois também são feitos logo após o nascimento e poucos conhecem. Os testes clínicos de Ortolani e Barlow ajudam a detectar a displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ), uma alteração na formação no quadril dos bebês.

Segundo o médico ortopedista Vitor Mendes (CRM/SP 146462), especialista em Cirurgia do Quadril, a suspeita clínica da presença da displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) já ocorre nesta fase de exames logo após o nascimento, porém, os sintomas da luxação podem ser notados com o avanço da idade, em crianças, adolescentes e até mesmo adultos.

“Mesmo após a triagem de testes no nascimento, é importante ficar sempre atento aos movimentos do corpo, se há sinais de desconforto no quadril ou mobilidade reduzida. O comprimento diferente das pernas e mancar ao caminhar são alguns dos principais sintomas”, alerta o médico.

Sintomas da displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ)

  • Comprimentos diferentes das pernas
  • Dobras desiguais nas coxas
  • Mobilidade reduzida
  • Dificuldade de flexibilidade de um lado do corpo
  • Mancar ao caminhar 

Fatores de risco e diagnóstico da DDQ

Os testes de Ortolani e Barlow são dois procedimentos realizados logo após o nascimento para o diagnóstico da displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ). Essas manobras clínicas testam a estabilidade da articulação, e devem ser realizadas rotineiramente em todos os recém nascidos, com especial atenção àqueles que apresentam fatores de risco para a DDQ, como:

  • Primeiro filho
  • Sexo feminino
  • Posição fetal pélvica (“sentado”)
  • Pouco líquido amniótico (oligodramnio)
  • Fetos grandes
  • Gemelares 

Mesmo após a triagem neonatal, é recomendada a realização de exames periodicamente nos primeiros anos de vida, como ultrassonografia e radiografia, para verificar a limitação de extensão do quadril da criança. 

O tratamento da displasia do quadril (DDQ)

Se a displasia do quadril for diagnosticada precocemente e o tratamento iniciado com rapidez, é possível desenvolver uma articulação do quadril normal por meio de tratamentos que dependem da idade da criança. 

  • Recém-nascidos: o bebê é colocado no chamado suspensório de Pavlik, por um a dois meses. A cinta mantém o quadril na posição adequada, permitindo o livre movimento das pernas, e ajuda a apertar os ligamentos em torno da articulação do quadril;
  • Seis meses a dois anos: nesta fase, o tratamento mais comum é realizado com redução fechada e gesso. Na maioria dos casos, a tração é usada por algumas semanas antes de reposicionar o fêmur para o relaxamento da musculatura ao redor do quadril;
  • Mais de dois anos: a distensão do quadril pode piorar com o crescimento e aumento no ritmo de movimento das crianças. A cirurgia aberta, então, é normalmente necessária para realinhar o quadril. 

Sem o correto acompanhamento, a DDQ pode se tornar osteoartrite no início da idade adulta, piorando a qualidade de vida do paciente. “Nestes casos, dependendo do grau de acometimento, é indicada a artroplastia do quadril, cirurgia que pode melhorar a mobilidade e reduzir o desgaste da articulação”, diz Vitor Mendes. 

Principais causas da displasia do desenvolvimento do quadril

A origem da displasia do desenvolvimento do quadril ainda é desconhecida, mas alguns estudos indicam que as principais causas podem estar relacionadas com a posição e o espaço do bebê no útero:

  • Na barriga da mãe de primeira viagem, o útero ainda é mais “apertado”, o que impossibilita a movimentação do bebê e favorece o aparecimento da luxação;
  • Ao nascer, é perigoso se o bebê estiver na posição de nádegas, especialmente com os pés para cima dos ombros. A Academia Americana de Pediatria recomenda que nascimentos nestas condições sejam obrigatoriamente acompanhados de exames de ultrassonografia.

Todo cuidado é pouco para prevenir a nossa saúde. Qualquer sinal de desconforto no quadril deve ser motivo para procurar um médico ortopedista.

Bursite no quadril: sintomas e tratamento

Saiba alguns dos sintomas da bursite no quadril e o tratamento adequado

Dor e inchaço são os principais sintomas da bursite no quadril, que acontece quando as chamadas bursas trocantéricas, localizadas na parte superior do fêmur, inflamam. O incômodo pode piorar ao realizar atividades simples do cotidiano, como subir escadas, levantar-se do sofá, caminhar ou ficar longos períodos de pé.

O médico ortopedista Vitor Mendes (CRM/SP 146462) explica que as bursas estão presentes em diversas articulações do nosso corpo, inclusive nos quadris, e sua principal função é diminuir o atrito do contato entre os ossos e demais tecidos. “A bursite no quadril está ligada a fatores como esforços repetitivos na prática de esportes e encurtamento dos músculos da região lateral do quadril e das coxas.”

Algumas complicações podem ocorrer em pessoas com bursite no quadril, como dor contínua e limitante, mobilidade reduzida e dificuldades para dormir. Muitas vezes, não é somente a bursa que está inflamada, mas toda a região próxima, incluindo os tendões e músculos glúteos. Por isso, a dor e o desconforto não se limitam apenas ao quadril.

Médico ortopedista: diagnóstico da bursite no quadril 

O diagnóstico da bursite no quadril é feito por um médico ortopedista, que pedirá exames como Ultrassonografia, Tomografia e Ressonância Magnética para investigar os sintomas relatados pelo paciente. No consultório, é costume medir o comprimento das pernas e a flexibilidade da musculatura ao redor do quadril.

Segundo Vitor Mendes, é importante relatar na consulta médica a existência de cirurgias prévias no quadril. “Conhecer o quadro clínico do paciente ajudará a descobrir doenças pré-existentes que possam ter comprometido a biomecânica do quadril e contribuído para a bursite. Há casos de deformidades na articulação do quadril que levam ao agravamento da lesão da bursa”, afirma.

Tratamento da bursite no quadril: reabilitação e prevenção

O tratamento da bursite na região envolve uma série de medidas. Primeiramente, cuidar da postura é fundamental. Analgésicos simples podem ser recomendados pelo médico para alívio da dor, assim como anti-inflamatórios. 

A reabilitação física é indicada e deve ser feita, sobretudo, para recuperação da amplitude dos movimentos. Exercícios específicos para prevenção de outras lesões no quadril, orientados por profissionais capacitados, também são recomendados.

A intervenção cirúrgica em casos de bursite é menos comum. “A melhora da ergonomia e da qualidade do movimento muscular ajudará a prevenir novas lesões ou reaparecimento da bursite”, diz o médico Vitor Mendes.